A Castração

     Eu não sei como pode mas a Berebere parece que sabe exatamente quando vou levar ela para a clínica. Em geral, ela gosta muito de andar de carro mas no momento que o carro vira para a direita na rua do condomínio ela já começa a surtar. Dia 28/02 não foi diferente, a única diferença é que a bichinha estava morrendo de fome porque precisou ficar em jejum e eu nem podia dar um biscoito pra ajudar a acalmar os nervos dela dentro do carro. Quando chegamos na clínica parecia o fim do mundo e até os funcionários ficaram agitados com o agito dela.

    Ela recebeu alta no mesmo dia e reagiu super bem. Mas o veterinário parecia bem cansado quando me atendeu, e falou do agito dela, que foi super difícil pegar a veia e tudo o mais. Quando trouxeram ela, ainda grogue da anestesia, ela ainda estava relativamente agitada. O que me pegou de surpresa porque em outras experiências de castração os cachorros praticamente nem se aguentavam em pé. O veterinário até pediu pra manter ela em repouso e depois acrescentou um "pelo menos o quanto tu conseguir". Eu dei uma risadinha por dentro, não vou mentir.

    A chegada em casa foi difícil porque ela não podia subir escadas e eu tive que levar ela no colo, lembrando que ela é super agitada, pesa quase 20kg e eu tenho o ombro estourado. Mas o pior ainda estava por vir, quando estávamos chegando no apartamento o vizinho de cima estava descendo para passear com a cadelinha dele. Vale dizer que a cadelinha não é muito fã da Bere. E aí já viu né? Começou um bate-boca canino, meu pai correu para abrir a porta e eu corri para entrar em casa, mas ela tem uma mania péssima de empurrar a gente com as patas quando não quer colo (normalmente para limpar as patas, escovar os pelos, etc), e aí ela empurrou o meu peito e tentou pular no chão, mas eu corri e tentei me abaixar para ela pular no sofá. Deu certo? Até que deu! O joelho ainda dói, mas pelo menos ela não caiu no chão com a barriga toda aberta. Prioridades.

    Na clínica disseram que nos dois primeiros dias ela ficaria mais quietinha, mas ela saracoteou por pelo menos 2 horas até conseguir deitar e dormir. Aí dormiu direto até o outro dia pela manhã. Só que quando ela acordou estava nova, pulando e correndo. Não sei nem como considerar ela mais quietinha porque nem parecia que estava com a barriga aberta.

    A recuperação foi muito tranquila, tomou remédio para dor por alguns dias mas na maior parte do tempo não parecia sentir dor. Notei que ela evitava alguns movimentos, então acredito que nesses momentos ela sentia dor ou algum desconforto e respeitava o próprio limite. A parte mais difícil foi o calor, foram 10 dias de roupinha pós-cirúrgica e um calor terrível que obrigava ela a ficar se esfregando para se coçar ou tirar a roupa. Todo momento ela vinha se esfregar na gente e então coçávamos as costas dela minutos a fio, o que fazia ela se sentir melhor.

    Já o apetite foi um pouco afetado. No primeiro dia não quis comer nada, do segundo ao quarto só comeu sachê. Daí em diante eu fui tentando colocar atrativos na ração pra ela voltar a comer normalmente. A alimentação voltou ao normal apenas no oitavo dia.

    Outra coisa que ela sentiu bastante foi o tédio. Como ela é super agitada nem cogitei descer com ela quando os pontos começaram a cicatrizar e a mobilidade voltou 100% porque ela se joga no chão, só sabe brincar de morder com os outros cachorros, e eu tenho certeza que rapidinho os pontos seriam arrancados. O acumulo de energia deixou ela bem irritada e aumentou consideravelmente os latidos, talvez eu esteja surda até o fim do mês que vem.

    

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