1ª Semana de Adestramento

     Como prometido vou começar a compartilhar um pouco mais sobre como está sendo o processo de adestramento.

    Em primeiro lugar quero falar sobre valores: sempre achei que o adestramento fosse absurdamente caro, mas me surpreendi positivamente. Não é que seja barato, é justo. Mas sim, você deve se programar para esse investimento pois não se trata apenas das aulas, você vai precisar desembolsar com alguns equipamentos e produtos adequados para o seu cão. Além disso, o valor das aulas vai depender de muitos fatores como idade e temperamento do cão.

    A programação não é só financeira, assim como tudo na vida é necessário tempo, então arrume um espacinho na agenda para os treinos. Não só as aulas com o adestrador, mas na sua rotina diária. Sabe aquela história de que só ir pra academia não adianta? Aqui é a mesma coisa, o adestrador vai te ensinar algumas coisas e vai passar exercícios para você fazer em casa. E se você não fizer, bom, talvez esteja jogando dinheiro no lixo.

    Acho importante dizer que eu sou uma pessoa que tenta fazer as coisas sozinha antes de procurar um profissional, porém também sou uma pessoa que tende a se frustrar com facilidade. Então sim, tentei de diversas formas ensinar algumas coisas para a Berenice mas não consegui corrigir o comportamento dela naquilo que mais me incomodava, e não adianta tentar burlar as coisas, para alguns aspectos só um profissional vai poder ajudar. Conheça seus limites.

    Confesso que todo início de aula eu penso "não vou conseguir" "não tenho pulso firme" "nunca vai dar certo", mas assim, o adestrador consegue e ele não nasceu conseguindo, precisou aprender e sem sombra de dúvidas deve estar aprendendo alguma coisa com a Bere. A parte boa é que antes do fim da primeira semana tenho notado melhoras valiosas, não muito grandes, mas que me deixam extremamente satisfeita com o profissional que contratei.

    Na outra semana falei um pouco sobre os passeios com ela e, bom, de manhã ela não está fazendo tanto fiasco para sair de casa. Praticamente nem está latindo, masssss no momento em que eu levanto já começo a premiar o silêncio dela. Além disso, ao invés de brincar tenho reforçado alguns comandos como "senta, dá a pata, deita, fica", assim mantenho ela focada em algo enquanto eu me arrumo e ela esquece que o passeio "está demorando". No momento em que coloco a peiteira ela já começa a se agitar, a respiração fica ofegante e ela começa a pular, é nesse momento em que surgem os latidos remanescentes mas nem chega a ser estridente como era antes.

    Para sair pela porta ainda é um caos! No fim de semana passado (último fim de semana de março) consegui começar a treinar ela a ficar dentro de casa enquanto a porta está aberta e só sair depois que eu deixar, e até agora essa tem sido a parte mais difícil. De longe! Hoje pela manhã ela ficou muito pouco mais calma para sair, muito pouco mesmo. Não chegou a esperar eu deixar ela sair, mas saiu junto comigo e não na minha frente. Para fechar a porta nada mudou, continua sendo o mesmo inferno, e sinceramente acho que até a minha própria ansiedade interfere nesse momento porque é muito difícil (mesmo) manter ela tranquila do lado de fora enquanto eu fecho a porta. Ainda levo mordidas (ou tentativas) nesse momento.

    A descida pelas escadas ainda é correndo, mas eu consigo acompanhar, e apesar de não ter mais os latidos ainda tem uma respiração super alta e acelerada, além de rosnados de excitação. Na chegada ao térreo às vezes rola uma tentativa de puxar a guia, mas ela solta em seguida e segue o passeio. 

    O passeio propriamente dito parece um sonho comparado a uma semana atrás: sem puxões, sem correria, sem mordidas. Ela caminha ao meu lado na maior parte do tempo, me procura e obedece a minha direção. Estamos conseguindo correr um pouco, ela não para quando encontra outros cachorros pela rua e está tão focada no passeio que às vezes nem dá bola para o movimento de carros e motos. Ao fim do passeio ainda vamos no petplace brincar um pouco de bolinha (e ela está começando a entender que a graça é trazer a bolinha de volta).

    Tudo lindo e maravilhoso!

    Mas isso tudo é só de manhã, de tarde parece que tenho outro cachorro. A única coisa sobre o passeio da tarde que mudou é que ela não puxa tanto, mas continua andando sempre na frente.

    Outras coisas que conseguimos ir treinando nesses dias e já noto alguma mudança são os pulos para roubar comida, ela tem pulado consideravelmente menos e quando estou na mesa comendo logo em seguida ela para tentar pegar, deita e relaxa. No momento em que ela relaxa recebe prêmio. 

    Além disso, se eu fechasse alguma porta da casa e deixasse ela para o outro lado ela quase derrubava o apartamento. Ela continuando pulando na porta por algum tempo, até ela perceber que não adianta pular, às vezes até dá uma choradinha, mas definitivamente não grita mais. E dia após dia a insistência para abrir a porta diminui. 

    Acho que já comentei aqui que a Bere não é a maior fã de carinho, mas tenho percebido esses dias que ela está mais tolerante ao carinho e até nos procura. Penso que nosso vínculo de confiança está aumentando, quero muito acreditar nisso. Ontem ela subiu no colo e ficou deitada por um bom tempo, algo que tinha feito pela última vez quando tinha uns 3 meses de idade.

    Seguiremos treinando e aprendendo novas formas de conviver juntas, e eu volto para falar mais sobre essa experiência.

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